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Vamos renovar o Zendesk pela última vez

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Jul 10, 20265 min read
Vadim Solovey

About Vadim Solovey

Founded DoiT in 2011 and have been here ever since — in every flavor of CTO, co-CEO, and now CEO. I started my career in 1999 building data centers before anyone called it "the cloud," and I've spent the two decades since trying to deliver on what the cloud was actually supposed to be. I still write code most weeks.

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Assinamos o Zendesk em 2011. Eles eram uma startup na época, e nós também. Não lembro quanto pagamos naquele primeiro ano, mas lembro que pareceu justo. Quinze anos depois, vamos assinar o que será nossa última renovação com o Zendesk, e quero explicar o porquê, porque desconfio que muita empresa por aí tem uma proposta de renovação em mãos parecidíssima com a nossa.

Um contexto rápido para quem não conhece a DoiT. Somos uma empresa de 750 pessoas que ajuda negócios a extrair mais valor da AWS, do Google Cloud e do Azure. Nossa plataforma (Cloud Intelligence™) e nossos Forward Deployed Engineers gerenciam bilhões em gastos na nuvem, e praticamente tudo o que fazemos, de um jeito ou de outro, se resume a deixar a conta dos nossos clientes menor. A ironia do que vem a seguir não passou despercebida por aqui.

O que aconteceu

Nos últimos dois anos, nosso time de suporte automatizou boa parte do fluxo, melhorou o self-service e passou a levar menos tickets para atendimento humano. Na hora da renovação, precisávamos de 175 assentos no Zendesk, e não dos 279 que vínhamos pagando.

Entramos na negociação esperando economizar cerca de US$ 175 mil. Corta um terço dos assentos, economiza mais ou menos um terço da conta, ou pelo menos era o que a gente supunha.

A primeira proposta veio a US$ 413 mil, exatamente o que pagamos no ano anterior. Eles subiram o preço por assento o suficiente para absorver toda a redução.

Cento e quatro assentos a menos, a mesma conta, e, fazendo as contas, estaríamos renovando basicamente pelo preço de tabela depois de quinze anos como cliente.

Contestamos, óbvio. A proposta revisada foi de US$ 372 mil por 180 assentos, ou seja, US$ 41 mil de economia, mais um aumento de 3,5x na nossa cota de API, que a gente realmente queria. Também ofereceram US$ 354 mil por ano se fechássemos dois anos. Recusamos, porque comprometer mais dois anos com um fornecedor no meio de um término não fazia o menor sentido pra gente.

Somando tudo, reduzimos o uso em cerca de 35% e a conta caiu só uns 10%. Em algum ponto entre os US$ 175 mil que planejávamos economizar e os US$ 41 mil que nos ofereceram, o resto da nossa economia virou receita deles.

O que realmente me incomoda

Quero ter cuidado aqui, porque não estou escrevendo isso para reclamar que software é caro. Nós vendemos software. Nossos clientes pagam dinheiro de verdade e acredito que recebem mais de volta. O problema não era o preço.

O problema era o que o preço estava fazendo. Quando cortamos assentos, eles subiram a tarifa, e o único propósito de subir a tarifa era garantir que a nossa eficiência não custasse nada para eles. O trabalho foi nosso e a economia foi deles. A manobra inteira se apoia numa aposta: a de que migrar de uma plataforma de suporte dói mais do que pagar caro por ela e, para a maioria das empresas, na maioria dos anos, essa aposta se paga.

Acontece que o pessoal de Procurement tem um nome para isso. Quando você reduz escopo na renovação, chama-se descoping, e aumentar o preço unitário em resposta é uma jogada padrão dos fornecedores. Os dados de benchmark da Vendr mostram clientes do Zendesk descrevendo exatamente a nossa experiência, incluindo um comprador cuja tarifa unitária subiu 15% por causa de descoping e outro que escreveu que, ao reduzir licenças, o preço "subiu significativamente". O SaaS Inflation Index da Vertice coloca a inflação de SaaS acima de 13%, várias vezes a inflação geral, e apontou que mais de um quarto dos contratos são afetados por alguma forma de shrinkflation. O Zendesk não inventou nada disso. Eles seguiram o manual do setor, e nós, por acaso, fomos o cliente da vez neste trimestre.

Acho que tem um motivo para isso estar piorando agora. A precificação por assento fazia sentido quando o headcount só subia. A IA acabou com isso. Times de suporte em todo lugar estão dando conta de mais volume com menos gente, o número de assentos está caindo no setor inteiro, e fornecedores que cobram por assento estão vendo seus contratos encolherem. Alguns vão mudar o modelo de precificação. O resto está defendendo o número do ano passado cobrando mais por assento, o que equivale a faturar em cima dos ganhos de eficiência do próprio cliente.

Por que a gente não pode simplesmente engolir isso

Quando um cliente da DoiT corta 35% da conta de nuvem, mandamos os parabéns. Às vezes somos nós mesmos que encontramos a economia, e o gasto do cliente conosco cai como consequência.

Construímos a empresa inteira sobre a ideia de que isso é bom, de que clientes que economizam ficam por mais tempo e falam para os amigos, e de que abrir mão de um número menor hoje é o jeito de conquistar uma relação maior lá na frente.

Então, quando um fornecedor nosso faz exatamente o oposto, incomoda. Aceitar calado seria admitir que o nosso próprio discurso é ingênuo. Não acho que seja, mas também não vou continuar financiando o outro modelo com cara de paisagem.

Cloud bill shouldn't be a mystery

One platform for AI and Cloud optimization.

Os próximos doze meses

Vamos renovar por mais um ano, o último.

Tem um ditado de que eu gosto: não é caro se for pela última vez.

Ao longo desse ano, ou vamos para um fornecedor que precifica de forma honesta, ou vamos construir a coisa nós mesmos.

Se encontrarmos um fornecedor de que a gente goste, ótimo. Comercial ou open source, tanto faz, desde que o preço fique mais barato à medida que a gente melhora, e não o contrário.

Se a sua renovação (do Zendesk) está parecida com a nossa

Comece antes do que você acha que precisa. Leve seus dados de uso para a mesa. E decida, antes de a negociação começar, se você está disposto a sair, porque essa disposição é a única alavanca que fornecedores desse tipo respeitam. Por quinze anos não estivemos dispostos. Agora estamos, e é impressionante como a conversa muda de figura.

Daqui a alguns meses escrevo um follow-up contando o que escolhemos, quanto custou e como foi a migração. Se você está passando pela mesma coisa, minha caixa de entrada está aberta, porque, a julgar pelos dados de Procurement, tem muita gente no mesmo barco.