Para ter sucesso com multicloud, é preciso adaptar a arquitetura aos requisitos específicos do seu portfólio de workloads de aplicações. Conheça padrões de implantação distribuída e redundante que podem ajudar.

Prepare-se para o sucesso em multicloud com o padrão de implantação certo
Estratégias multicloud bem definidas ajudam as empresas a avançar em seus objetivos de negócio. Mas navegar pelo multicloud exige uma abordagem arquitetural cuidadosa para garantir a coesão entre os diversos serviços de nuvem. Você precisa ajustar sua arquitetura aos requisitos do seu portfólio de workloads de aplicações, mas, felizmente, dá para contar com alguns padrões já consagrados.
Esses padrões se baseiam em implantação distribuída ou redundante:
- Os padrões de implantação distribuída executam aplicações no ambiente computacional mais adequado, aproveitando as diferentes propriedades e características de cada um.
- Os padrões de implantação redundante envolvem implantar as mesmas aplicações em vários ambientes computacionais para ampliar a capacidade ou a resiliência.
Padrões de implantação distribuída
Os padrões distribuídos buscam o equilíbrio entre lidar com as restrições impostas pelas aplicações existentes e aproveitar o potencial único de cada ambiente computacional. Na hora de escolher o padrão adequado, é preciso considerar fatores como agilidade, capacidade de escala, segurança e confiabilidade.
Híbrido em camadas (tiered hybrid)
No padrão de implantação híbrido em camadas, você implanta as aplicações de frontend existentes na nuvem pública caso a caso e reaproveita as aplicações de backend que já existem, mantendo-as no ambiente computacional privado. Com o tempo, porém, você pode acabar movendo também os backends para a nuvem pública, já que a parcela de aplicações implantadas na nuvem tende a crescer.
Priorizar o frontend faz sentido porque, embora as aplicações de frontend dependam dos backends, o contrário não é verdadeiro. Como têm poucas dependências, as aplicações de frontend costumam ser mais fáceis de isolar e migrar do que os backends. Levá-las para a nuvem pública também é uma boa escolha porque elas mudam com mais frequência do que os backends e se beneficiam da flexibilidade que a nuvem oferece. A nuvem simplifica a configuração de um pipeline de integração contínua/entrega contínua (CI/CD) para atualizações automatizadas e eficientes, e recursos como balanceamento de carga, implantações multirregionais e autoscaling impulsionam o desempenho.
Já no caso de backends que lidam com dados sob requisitos rigorosos de conformidade, mantê-los em um ambiente computacional privado pode ser uma decisão prudente. Muitos países exigem a localização de dados, ou seja, as empresas precisam armazená-los e processá-los dentro do território. O Regulamento Geral de Proteção de Dados (GDPR) da União Europeia, por exemplo, tem exigências rígidas sobre o armazenamento de dados pessoais, que muitas vezes são mais bem atendidas por uma solução on-premises.
Multicloud particionado
O padrão multicloud particionado permite movimentar workloads entre ambientes de nuvem pública de fornecedores diferentes. A portabilidade dos workloads é essencial para garantir a flexibilidade de implantar cada aplicação no ambiente computacional mais adequado. Você precisará abstrair as diferenças entre os ambientes para conseguir transferir workloads de um para outro.
Os padrões multicloud particionados ajudam a evitar o vendor lock-in, já que você não fica preso a um único provedor de nuvem. Poder mover workloads para ambientes alternativos quando necessário oferece proteção contra o risco de indisponibilidade causado por falhas e ainda permite escolher os recursos mais relevantes de cada provedor.
Manter a portabilidade de workloads exigida por esse padrão também ajuda a otimizar operações ao migrar cargas entre ambientes. Mas a portabilidade tem suas desvantagens: exige trabalho extra de desenvolvimento, testes e operações. Construir pensando em portabilidade também pode reduzir a utilidade da plataforma de nuvem escolhida ao menor denominador comum, impedindo que os workloads se beneficiem dos serviços totalmente gerenciados do provedor. Os custos de egress também podem disparar rapidamente.
A conteinerização ajuda a viabilizar a portabilidade dos workloads, e o Kubernetes potencializa esse modelo, ajudando as empresas a evitar o vendor lock-in.
Híbrido e multicloud para analytics e ML
Nesse padrão, os sistemas transacionais permanecem on-premises, enquanto os workloads analíticos vão para a nuvem e devolvem dados quando necessário. Os sistemas transacionais cuidam das operações do dia a dia em áreas como finanças, comunicação e vendas. Já os workloads analíticos abrangem aplicações que processam ou visualizam dados para gerar insights que apoiam a tomada de decisão. O padrão tira proveito dessa separação para executar cada tipo de workload em um ambiente computacional diferente.
Rodando os workloads de analytics na nuvem, você consegue escalar dinamicamente os recursos de computação para processar grandes volumes de dados com rapidez, sem correr o risco de superprovisionar. Os principais provedores de nuvem também oferecem serviços abrangentes para gerenciar dados desde a aquisição até o fim do ciclo de vida.
Edge híbrido
Conectividade contínua é um requisito para executar workloads na nuvem, mas nem sempre é possível tê-la. Locais como embarcações, supermercados e algumas plantas industriais nem sempre têm acesso confiável à internet, e ainda assim são cenários-chave para a Internet das Coisas (IoT), que depende de conectividade para que sensores e chips embarcados transmitam e recebam dados valiosos. É aí que entra o padrão edge híbrido: ele executa localmente, na borda da rede, os workloads críticos em tempo e para o negócio, e deixa todos os demais na nuvem.
Rodar localmente os workloads críticos em tempo e para o negócio garante baixa latência e autossuficiência. Transações importantes continuam acontecendo mesmo quando a conexão com a internet não é confiável. Adotar esse padrão permite seguir aproveitando a nuvem para uma parcela considerável dos seus workloads. Para que tudo funcione bem, é importante minimizar as dependências entre os sistemas que rodam na borda e os que rodam na nuvem.
Padrões de implantação redundante
Os padrões de implantação redundante envolvem implantar as mesmas aplicações em vários ambientes computacionais para ampliar a capacidade ou a resiliência.
Ambiente híbrido
O padrão de ambiente híbrido pode ser tanto redundante quanto distribuído. Ele usa ambientes de nuvem pública para desenvolvimento, testes e UAT, e mantém os workloads de produção em data centers privados. Restrições regulatórias e de conformidade podem dificultar a migração para a nuvem dos ambientes de produção e dos seus dados, mas costumam não impactar os demais ambientes.
Usar a nuvem pública para desenvolvimento e testes funcionais permite provisionar e desativar ambientes conforme a necessidade. Também ajuda a controlar custos, parando instâncias de máquinas virtuais quando não estão em uso ou provisionando ambientes apenas sob demanda.
Continuidade de negócios híbrida e multicloud
O planejamento de Disaster Recovery (DR) é essencial para recuperar sistemas afetados por desastres naturais ou provocados por humanos. Um elemento-chave são os backups frequentes em diferentes localizações geográficas, para minimizar o recovery point objective (RPO). Manter sistemas em standby (cold, warm ou hot, conforme a latência) em um segundo local também ajuda a reduzir o recovery time objective (RTO).
Uma abordagem mais econômica, porém, é usar a nuvem pública para o ambiente de DR — é daí que vem o padrão híbrido de continuidade de negócios. Esse padrão pode até reduzir o tempo real de recuperação caso o DR seja acionado, porque o ambiente de DR pode ser provisionado mais rapidamente com infraestrutura como código.
Cloud bursting
O custo de gerenciar workloads com picos em ambientes on-premises pode sair rapidamente do controle, porque é preciso superprovisionar recursos para suportar os períodos de uso intenso. O padrão de implantação por bursting usa um ambiente computacional privado para a carga de base e só recorre à nuvem quando é necessário escalar. Por isso, ele se encaixa melhor em workloads em batch do que em interativos. Aqui, a portabilidade dos workloads é fundamental.
Um dos principais benefícios desse padrão é permitir reaproveitar os investimentos atuais em ambientes on-premises. Você pode até passar a usar os ambientes computacionais privados de forma mais eficiente, já que não precisa superprovisionar recursos para dar conta dos picos de demanda.
Próximos passos
Construir uma solução híbrida ou multicloud envolve decisões complexas — e projetar a arquitetura adequada é uma das mais importantes. Antes de tomar qualquer decisão, será preciso avaliar a cultura da empresa, as práticas de DevOps e o tech stack. Nenhuma solução tecnológica isolada vai atender aos seus requisitos específicos, mas a resposta pode estar em alguma combinação dos padrões de implantação distribuída e redundante que discutimos aqui. Um parceiro de nuvem especialista pode orientar você sobre o melhor caminho para extrair valor do multicloud de acordo com os seus objetivos de negócio.