
A adoção crescente de práticas de FinOps por empresas no mundo todo pode ser uma faca de dois gumes. Por mais que ter equipes multifuncionais capazes de planejar, executar e monitorar os gastos com nuvem alinhados aos objetivos de negócio seja uma grande vantagem, os passos para estabelecer uma disciplina de FinOps e fazê-la engrenar podem ser bem desafiadores.
Parte disso acontece porque o FinOps depende do engajamento de várias áreas da organização — falamos sobre como engajar seus engenheiros em um post anterior do blog —, mas também porque colocar processos de otimização de custos para rodar não é nada simples. Algo aparentemente trivial, como definir quem deve participar dessas estratégias, já é capaz de gerar confusão dentro da empresa.
Quem precisa se preocupar com FinOps?
Para entender melhor os desafios, vamos olhar primeiro para quais personas dentro da empresa devem ter participação na construção dessas práticas. Como o FinOps funciona como uma ponte entre as áreas de negócio, TI e Finanças, é fundamental que as lideranças de cada um desses departamentos se sintam donas da estratégia e ajudem a estabelecer canais claros de comunicação sobre os gastos com nuvem da empresa.
Do lado do negócio, a alta liderança precisa abraçar a iniciativa em toda a organização e garantir que todos remem na mesma direção. O time de finanças provavelmente já é responsável por orçar e prever os custos gerais para os próximos meses e anos, então sua meta principal é entender e acompanhar com precisão o custo da nuvem para garantir que o dinheiro está sendo bem aplicado. E, claro, a área de TI/engenharia/operações é normalmente quem faz a previsão, o provisionamento e o uso dos ambientes de nuvem, e por isso precisa comunicar as necessidades da empresa às demais equipes e justificar as decisões de gastos.

Fonte: FinOps Foundation
Outros papéis, como product owners e Procurement, também devem participar, mas no centro de tudo estão os profissionais de FinOps. Essa pessoa ou equipe — independentemente de ter "FinOps" no cargo — é, em última análise, responsável por conectar os departamentos citados acima e construir uma cultura em que cada time tenha um playbook de boas práticas para otimizar os gastos com nuvem e maximizar o retorno sobre o investimento.
Mas reunir as pessoas certas é só o primeiro passo da jornada de FinOps. Para construir a cultura adequada, é preciso ter um conjunto claro de objetivos em mente. A FinOps Foundation organiza isso em domínios específicos, cada um composto por capacidades distintas (que muitas vezes se sobrepõem entre os domínios).
Os seis domínios do FinOps são:
- Compreensão do uso e custo da nuvem
- Acompanhamento de desempenho e benchmarking
- Tomada de decisão em tempo real
- Otimização de tarifas da nuvem
- Otimização de uso da nuvem
- Alinhamento organizacional
Dentro desses domínios, há várias capacidades que provavelmente já são executadas, em alguma medida, na sua organização. Por exemplo, gerenciar descontos baseados em commitments é algo que a maioria das empresas faz muito antes de ter uma prática estabelecida de FinOps; também é um componente crítico do acompanhamento de desempenho e benchmarking, da otimização de tarifas da nuvem e do alinhamento organizacional. O mesmo vale para outras capacidades, como gestão de anomalias, medição de custos unitários e análise de dados e showback.
Você está realmente pronto para mergulhar de cabeça?
Em conjunto, esses domínios e capacidades podem ser analisados sob a ótica do FinOps Maturity Model, baseado em um framework do tipo engatinhar-andar-correr e em metas de exemplo que ajudam as empresas a ter uma noção mais clara da dimensão do problema e de onde estão no início dessa jornada.
Mesmo assim, para quem está no estágio "engatinhar" do modelo de maturidade, até esse framework pode deixar você sem saber por onde começar para dar conta de tudo. Isso é especialmente verdade para empresas menores ou mais novas, que podem não ter as ferramentas ou a expertise necessárias para executar essas estratégias direito — e, mesmo quando têm, podem não dispor de tempo ou pessoas suficientes para se dedicar ao problema.
Em resumo, talvez você ainda não esteja pronto para abraçar plenamente uma prática de FinOps top-down envolvendo seus diferentes times e stakeholders. Existe a chance de o tempo e o dinheiro investidos para montar essa prática não terem ROI suficiente no longo prazo, o que pode acabar não só desperdiçando tempo e dinheiro, mas também prejudicando o sucesso do seu negócio no longo prazo, ao desviar recursos das áreas em que eles são mais necessários. A última coisa que você quer é colocar de pé um projeto corporativo que acaba custando mais do que economiza.
Então, como avançar?
A otimização de custos de nuvem pode ser uma vitória rápida
Não é segredo que a forma mais fácil de ganhar apoio e impulso para uma nova iniciativa é mostrar resultados concretos; se você consegue gerar algumas vitórias rápidas nas fases iniciais, ganha credibilidade dentro da organização e cria a base para os próximos passos.
No caso de uma prática de FinOps, cujo objetivo é justamente otimizar os processos de compra e consumo de recursos de nuvem, o melhor caminho é focar em otimização de custos. Reduzir a fatura mensal de nuvem da empresa, mesmo que em pequena escala, não só ajuda a comprovar que o esforço vale a pena, como também serve de porta de entrada para os domínios e capacidades mais amplos nos quais você vai se concentrar dali em diante.
Como os custos de compute frequentemente representam bem mais da metade da fatura de nuvem de uma empresa, essa área é a maior oportunidade para reduzir seus gastos totais com nuvem. E, embora provedores como AWS e Google Cloud ofereçam descontos em troca de commitments de longo prazo, aproveitar essas ofertas é bem mais difícil do que parece.
Para começar, a natureza de um commitment de compute remete à abordagem antiga de reservar espaço dedicado em um data center, o que significa abrir mão da flexibilidade de subir novas instâncias em uma região ou família de máquinas diferente do uso habitual. Tanto a AWS quanto o GCP têm vários tipos de planos de commitment de compute, com diferentes níveis de flexibilidade, seguindo a regra geral de que, quanto mais específico você for, maior o percentual de desconto; ou seja, normalmente você troca flexibilidade por economia. E, claro, talvez você nem saiba de quanta flexibilidade vai precisar ao longo do commitment.
A verdade é que gerenciar um portfólio de commitments de nuvem pode dar trabalho suficiente para uma vaga em tempo integral, ou até para um time inteiro. Não só são vários os fatores a considerar ao prever o uso de compute — tipos de máquinas, regiões, serviços de nuvem etc. —, como o acompanhamento contínuo do uso e das datas de vencimento de múltiplos commitments e múltiplos times é uma dor de cabeça constante o ano todo. E, mesmo que você consiga colocar tudo sob controle, ainda existe o risco de se comprometer com um uso específico de compute por um longo período, sem nenhuma garantia de que sua necessidade daqui a um ano será exatamente o que você imagina hoje. Se superprovisionar, corre o risco de pagar por instâncias ociosas; se subprovisionar, deixa economia na mesa.

Automatizando a solução
A resposta para esses desafios de gestão — e o segredo da sua vitória rápida em FinOps — está na automação. Uma ferramenta como o DoiT Flexsave™ foi criada partindo do princípio de que arquitetos de nuvem, times de produto e líderes de DevOps precisam focar em construir seus produtos e fazer o negócio crescer, em vez de passar horas todo mês mergulhados em planilhas para monitorar gastos com commitments. Ao mesmo tempo, as áreas financeira e executiva precisam entender como os recursos de nuvem estão sendo consumidos (por exemplo: quais times e aplicações puxam os maiores gastos? Quais serviços de nuvem são mais críticos para o negócio?), para que esses gastos possam ser conectados aos objetivos maiores da empresa.
O Flexsave resolve essa dor de cabeça de gestão entregando a flexibilidade do compute on-demand com os benefícios dos descontos baseados em commitments. Tudo isso por meio de machine learning, analisando seu gasto contínuo com compute na AWS e identificando workloads que ainda não estão cobertos por commitments existentes. Em seguida, o Flexsave aplica automaticamente o equivalente a um Savings Plans de 1 ano a esses workloads on-demand, eliminando a necessidade de acompanhamento contínuo de commitments, previsões precisas de longo prazo e o risco inerente à compra de commitments de recursos.

É claro que tecnologia de nuvem vai muito além de compute, e FinOps vai muito além de otimização de custos. Para entender plenamente o escopo dos seus ambientes de nuvem e o uso e os custos associados, os times de FinOps precisam ser capazes de alocar gastos e implementar showback para times, serviços ou aplicações específicas dentro da organização. Por isso, todos os usuários da DoiT têm acesso a relatórios de atribuição e análise de custos de todo o seu ambiente de nuvem, podendo ir além das vitórias rápidas e começar a construir uma prática de FinOps mais ampla.
Para saber mais sobre o Flexsave e as demais soluções de otimização de custos e cloud analytics da DoiT, faça um tour autoguiado pelo portfólio completo de produtos ou fale hoje mesmo com um especialista da DoiT.