Antes de pensar em migrar para a nuvem, você precisa fechar algumas decisões-chave — e as mais importantes giram em torno do valor de negócio gerado. Veja o que mais você precisa saber.

Avalie se cada workload faz sentido na nuvem antes de movê-lo para outra plataforma
Migrar para a nuvem pública não é um fim em si, e sim o primeiro passo de um processo contínuo. Se você já dominou as etapas-chave de uma migração para a nuvem com alguns dos seus workloads, é provável que decida levar mais workloads adiante em outro momento. Ou pode acabar migrando para uma nuvem diferente em busca de redução de custos, melhores funcionalidades ou mais segurança. Mas, antes de mover qualquer coisa, é preciso fazer algumas perguntas fundamentais.
1. Você tem o apoio da diretoria?
Se a resposta para essa pergunta não for "sim", sua migração para a nuvem vai fracassar. Embora a maioria das empresas tenha como meta colocar 80% da hospedagem de TI na nuvem até 2024, poucos executivos do C-level têm total confiança de que as iniciativas de migração para a nuvem da empresa vão entregar os resultados prometidos. Por isso é tão importante enxergar a nuvem como muito mais do que um simples programa de TI. Você precisa garantir o apoio da liderança para tratá-la como uma plataforma capaz de impulsionar o tipo de eficiência, inovação e crescimento que sustenta o sucesso futuro da empresa.
Esse apoio depende do poder de convencimento do seu plano de migração, que precisa mostrar uma abordagem cuidadosa, sistemática e estratégica sobre o que vai ser migrado, para onde e — o mais importante — qual desafio de negócio isso vai resolver. Considere o crescimento atual da empresa, sua escala e suas dores para construir um caso convincente sobre o valor de negócio real que a migração vai gerar.
2. O que o negócio quer alcançar com essa migração?
O Gartner prevê que a parcela de novos workloads digitais implantados em plataformas cloud-native vai saltar de 30% em 2021 para mais de 95% em 2025. Antes de mover workloads entre nuvens ou levar para a nuvem aqueles que ainda estão on-premises, as empresas precisam entender por que estão tocando aquela migração específica.
Entre os fatores que motivam essa decisão estão a redução de custos, o alívio na carga de infraestrutura, a escalabilidade, a disponibilidade e uma melhor experiência do usuário. Talvez o crescimento esteja levando os sistemas e a infraestrutura on-premises ao limite, exigindo novos sistemas que escalem no mesmo ritmo. Ou o objetivo pode ser simplificar processos e procedimentos para devs e usuários, deixar a TI mais eficiente para atender mais rápido às demandas dos clientes ou ganhar agilidade para reagir melhor às mudanças do mercado global.
Migrar para a nuvem ajuda a destravar a inovação em escala e em ritmo acelerado, permitindo que as empresas atinjam marcos cruciais para o sucesso que, sem a nuvem, levariam anos para acontecer. Seja qual for o objetivo, os líderes de negócio precisam ter clareza sobre o propósito da migração para que o avanço rumo a essa meta possa ser acompanhado e medido.
3. Esse workload é mesmo um bom candidato para a nuvem?
Faz sentido implantar várias aplicações de frontend na nuvem pública, porque a tendência delas a mudar com frequência se beneficia da flexibilidade que a nuvem oferece. Os workloads mais adequados à nuvem costumam ter ciclos de vida curtos, picos frequentes de uso e exigir implantação rápida de infraestrutura.
Mas nem todo workload se encaixa bem na nuvem. Aplicações que precisam de latência abaixo de um milissegundo geralmente ficam melhor on-premises. Se você opera um sistema de trading financeiro, por exemplo, a nuvem não é a solução ideal para esse componente da plataforma. A indústria de manufatura é outro setor extremamente sensível a atrasos, e por isso algumas das principais montadoras usam soluções como o AWS Outposts para construir e rodar aplicações nas próprias instalações, sem precisar lidar com a latência relativamente alta da nuvem em comparação com o on-premises.
Outra situação em que manter os workloads on-premises pode ser a melhor opção — pelo menos no curto ou médio prazo — é quando você investiu um Capex (despesa de capital) considerável na infraestrutura local e precisa extrair o máximo de retorno antes de migrar para o modelo financeiro de Opex (despesa operacional) da nuvem.
Ao contrário do que muita gente pensa, porém, compliance geralmente não é um motivo para manter um workload on-premises. Na verdade, o potencial de mais visibilidade e controles mais rígidos torna a nuvem um ambiente possivelmente superior para esse tipo de workload. Veja o caso do Regulamento Geral de Proteção de Dados (GDPR) da União Europeia: com atenção cuidadosa às regulamentações e um sólido entendimento da nuvem, dá para obter um retorno sobre o investimento melhor com uma implantação na nuvem do que em um data center.
Vale consultar um parceiro de nuvem para fazer uma análise completa dos workloads e definir o modelo de implantação ideal para cada um. Isso te dá uma visão clara do panorama técnico, dos desafios e das dependências dos seus workloads atuais; do valor da migração frente ao esforço envolvido; e da sequência ideal para migrar cada workload.
4. Por que essa nuvem?
Embora a maioria das organizações use múltiplas nuvens, nem sempre as utiliza de forma eficiente ou estratégica. Em parte, isso acontece porque muitas iniciativas de nuvem pública nascem do shadow IT, com softwares, dispositivos e serviços sendo contratados sem o conhecimento ou o controle do departamento de TI.
Os workloads também acabam sendo alocados nas nuvens por conveniência, e não por análise. Sem dados precisos sobre como a infraestrutura está performando para cada workload, escolher a nuvem certa para cada um vira mais uma questão de sorte do que de decisão informada.
Pense bem nos motivos pelos quais você está movendo seus workloads para uma nuvem específica. Os principais provedores de nuvem têm pontos fortes específicos que podem combinar com o seu caso de uso. Por exemplo, muitos clientes migram para a Amazon Web Services (AWS) pela amplitude e profundidade dos serviços, clientes Microsoft costumam optar pelo Azure para inovar com serviços que já usam, e o Google Cloud se destaca pelas capacidades de análise de dados.
Em teoria, é possível rodar o mesmo workload em várias nuvens, mas, ao fazer isso, você fica preso ao menor denominador comum. Cada provedor de nuvem tem serviços nativos que simplesmente não existem nos concorrentes, então não dá para esperar que seus workloads rodem de forma transparente em qualquer provedor. Aproveitar a nuvem pública pela inovação que ela viabiliza significa explorar os pontos fortes da nuvem escolhida na hora de decidir onde implantar cada workload.
5. Qual abordagem você vai usar para a migração?
Dependendo da sua experiência prévia com migrações para a nuvem e do acesso da sua empresa à expertise certa, sua abordagem vai se enquadrar em uma (ou em uma combinação) de cinco categorias: rehost (lift and shift), refactor, replatform, rebuild, replace ou retire:
- Rehosting é a abordagem mais simples, porque envolve apenas reimplantar dados e aplicações já existentes em recursos de armazenamento e computação na nuvem, sem modificações. Exige relativamente pouca expertise em nuvem, mas não tira proveito dos recursos dela e não serve para todos os workloads.
- Refactoring é mais complexo, pois envolve rearquitetar as aplicações antes de movê-las para um ambiente de nuvem, mas também entrega um alto retorno sobre o investimento, porque capitaliza recursos baseados em nuvem e a flexibilidade e elasticidade inerentes a eles.
- Replatforming é o meio-termo entre rehosting e refactoring: envolve algumas modificações nos workloads para aproveitar benefícios da nuvem, como automação e melhor escalabilidade.
- Rebuilding basicamente recria o workload do zero para tirar pleno proveito do ambiente de nuvem. Isso exige um alto grau de habilidade e comprometimento.
- Substituir (replace) workloads por uma aplicação cloud-native significa aposentar uma aplicação existente e migrar apenas os dados necessários para fazê-la funcionar. Pode ser uma opção prudente quando é mais fácil usar um utilitário fornecido pelo provedor de nuvem do que tentar implantar e rodar as mesmas ferramentas que você usa on-premises.
- Aposentar (retire) workloads que já cumpriram seu papel é importante para não desperdiçar tempo e recursos durante a migração. Mas, antes de aposentar qualquer coisa, é fundamental identificar eventuais dependências upstream.
A abordagem de migração que você escolher vai influenciar tudo, dos custos de nuvem às decisões de arquitetura.
6. Quanto vai custar?
O orçamento de uma migração para a nuvem precisa considerar todas as etapas do processo, do planejamento pré-migração até a operação dos workloads na nuvem depois que tudo estiver no ar. Mesmo que a liderança esteja alinhada quanto à necessidade da migração, é preciso ter clareza dos custos envolvidos para decidir como tocar a mudança e em que ritmo.
O custo total de propriedade (TCO) na nuvem é um método usado para calcular os diversos custos envolvidos em operar workloads na nuvem ao longo do ciclo de vida deles. Cada implantação na nuvem é diferente, mas é importante comparar quanto custa rodar a mesma aplicação on-premises e na nuvem. A funcionalidade da aplicação tem que ser considerada por inteiro, especialmente requisitos como segurança, dependências de outras aplicações e demais áreas que podem pesar bastante nos custos. Outro elemento importante do TCO da nuvem é o custo de cobrir as lacunas de habilidades para deixar as equipes preparadas nas diferentes plataformas de nuvem envolvidas na migração.
7. Quais são as implicações de segurança e compliance da migração?
Os controles e práticas de segurança que você construiu para os ambientes on-premises não vão funcionar na nuvem. Uma das principais diferenças com as quais você vai ter que lidar é o modelo de responsabilidade compartilhada: o provedor de nuvem assume a maior parte da responsabilidade pela segurança da infraestrutura, enquanto o cliente da nuvem responde pelas configurações e ajustes sob seu controle direto — como dados e aplicações. Isso também pode ser definido como "da nuvem" versus "na nuvem", com o provedor responsável pela segurança da nuvem e o cliente responsável por proteger o que está nela.
Outra característica da segurança em nuvem é que a natureza baseada em software dela cria requisitos específicos de controles e processos, que talvez exijam novas tecnologias para serem atendidos. Você também pode ter que reestruturar fluxos e alinhamentos de governança para torná-los mais ágeis e contínuos. Esteja preparado para envolver representantes de uma ampla gama de stakeholders e disciplinas técnicas.
8. Você tem acesso aos recursos necessários para realizar a migração?
A escassez de profissionais de TI qualificados está desacelerando a adoção de tecnologias relacionadas à nuvem. No 2021-2023 Emerging Technology Roadmap, o Gartner mostrou que executivos de TI consideram a falta de talentos a maior barreira para implantar tecnologias emergentes — incluindo bancos de dados, machine learning, armazenamento avançado e analytics — todas habilitadas pela nuvem.
Quando você já tiver as habilidades certas, é preciso garantir que a equipe atue como uma unidade coesa: o processo desmorona se seus engenheiros de dados trabalharem isolados dos especialistas em redes, por exemplo, e cada um considerar o trabalho concluído assim que termina sua parte. Estimule a participação ativa de todos e dissemine a ideia de que ninguém termina enquanto todos não terminarem. Esse é um motivo central para o engajamento e o apoio dos stakeholders sêniores ao processo, garantindo que não haja bloqueios na hora de formar equipes integradas, encarregadas de entregar a jornada para a nuvem. Caso contrário, o projeto de migração vai estagnar à medida que os obstáculos se acumulam.
Se você não tem as habilidades internas para tocar sua migração para a nuvem, vale considerar treinar e capacitar a equipe para assumir essa tarefa. Tenha em mente que esse processo leva tempo e também envolve afastar pessoas do trabalho valioso que já estão fazendo. Contar com um parceiro de nuvem que tenha a expertise e a experiência para guiar você ao longo da migração pode ser uma escolha prudente e ainda acelerar a jornada com orientações sólidas, baseadas em experiência, vindas de arquitetos calejados.
9. O que fazer a seguir?
Depois de fazer todas essas perguntas, talvez você fique se perguntando se tem as habilidades e os recursos necessários para tocar uma migração para a nuvem com sucesso. Mas existe uma alternativa: ao se conectar com um parceiro de nuvem como a DoiT, você ganha acesso a especialistas em migração que podem orientar você por todo o processo, sem custo adicional.
Como premier partner da AWS e do Google Cloud, oferecemos expertise multicloud apoiada por valiosa tecnologia de otimização, analytics e governança. Conte com ajuda para levantar requisitos e definir objetivos de negócio, montar a arquitetura de nuvem adequada e escalar sua infraestrutura. Com esse tipo de suporte, sua próxima pergunta deve ser: "por onde eu começo?"